terça-feira, 4 de agosto de 2009

Planejamento e adaptação à realidade dinâmica



É comum entre as empresas atuais atuarem sem planos formais. Os administradores são (muitas vezes) tão ocupados que não tem tempo para o planejamento, ou acham que não precisam planejar, já que os negócios estão indo bem. Acreditam, também, que o planejamento é coisa para grandes organizações.

Porém, o planejamento formal pode render muitos benefícios às empresas; segundo Kotler, este encoraja a administração a pensar sistematicamente no que aconteceu, no que está acontecendo e no que acontecerá e a força a definir melhor seus objetivos e políticas para lidar com a realidade na qual a empresa está inserida. É também o planejamento que favorece a coordenação dos esforços e oferece padrões de desempenho mais claros e objetivos.

Um bom planejamento ajuda a empresa a antecipar mudanças no ambiente e responder rapidamente a elas. Ajuda-a também a se preparar melhor para eventos inesperados. Por isso, o planejamento é essencial a uma boa administração.

Alday (2000) defende a idéia de que é preciso mudar o vocabulário que se usa para pensar e falar sobre como orientar os negócios. Planejar, segundo autor, é a palavra apropriada para se projetar um conjunto de ações para atingir um resultado claramente definido, quando se tem plena certeza da situação em que as ações acontecerão e controle quase absoluto dos fatores que asseguram o sucesso no alcance dos resultados. É necessário m plano para se construir uma ponte, pilotar um avião, transplantar um rim, abrir um novo escritório numa outra cidade ou lançar um novo produto. Mas, se a pretensão é se aventurar num mercado competitivo, ou passar do mercado nacional para um mercado global, ou defender seu negócio principal (core business) em face de mudanças competitivas e tecnológicas expressivas, é preciso algo mais que planejamento. É necessário um processo de raciocínio que seja explorador, e não determinístico.

O planejamento como é feito convencionalmente tem pouco a oferecer em qualquer situação altamente ambígua. Os documentos elaborados, as previsões, os planos de ação e os cronogramas freqüentemente não passam de “miragem intelectual” (termo utilizado por Albrecht, em 1994). Em alguns casos, a ilusão de exatidão que eles criam pode levar a um desvio da concentração nos meios para se alcançar o sucesso. Eles podem dirigir sua atenção erroneamente, fazendo com se siga os planos em vez de explorar oportunidades, das quais a maioria certamente não constará dos planos.

Em uma abordagem de projeção do futuro, são necessárias medidas de resultado ou indicadores críticos que ajudem a medir a eficácia das estratégias de ação, mas não iludir-se, pensando que se tem um conjunto realista de metas e que estará trabalhando para atingi-las. Ao contrário, é necessário desenvolver estratégias de ação para explorar o que está acontecendo no ambiente e usar os indicadores críticos para, então, decidir o que fazer. A preocupação, nesse momento, não deve se centrar na expectativa de êxito ou fracasso, e sim em adaptar-se continuamente às conseqüências das estratégias de ação.

Desse ponto de vista, o ciclo típico do planejamento anual que tantas organizações seguem religiosamente pode, na realidade, travar a agilidade delas para reagir às mudanças, ameaças e oportunidades. É preciso tanto planejar quanto projetar o futuro para tornar uma empresa bem-sucedida. São necessários indivíduos capacitados nas duas tarefas. Requer líderes que dominem ambas as práticas.

Enquanto “projetar o futuro” é um processo que envolve decidir como agir com base no que está ocorrendo no ambiente imediato e no futuro próximo, “planejar” é a tradução dessa decisão em ações gerenciáveis. A impossibilidade de se fazer um planejamento para um futuro que se mostra confuso e ambíguo não deve gerar sentimentos de frustração ou impotência. Deve-se, sim, desenvolver as qualificações e a disciplina para interpretar continuamente esse futuro em termos de ações e iniciativas estratégicas, e assim usar as habilidades de planejar para concretizar planos coerentes.

Nenhum comentário:

Postar um comentário